Muitas das vezes
ignoramos a coisa mais comum e dolorosa das injustiças que é a de amar sem ser
amado. É uma dor tão comum que sua onipresença nos fazem ficar sem enxergar a
tragédia que ela pode causar. Uma pessoa extrovertida, produtiva, espontânea,
alegre, feliz pode ser levada ao estado da miséria emocional por causa do amor
não correspondido. A dor é enorme, tão profunda, tão dolorosa que quem enxerga
de fora não compreende. As pessoas perdem o controle de si, ficam sem comer,
perdem emprego, entram em depressão, chegam ao ponto de se matar ou matar
pessoas por causa de amores desencontrados. Sentem-se injustiçados pela vida,
pela atitude do outro, pelo próprio sentimento de amor que se volta contra
elas.
A vida exige equilíbrio, mas
nosso senso de equilíbrio e justiça é sempre rompido e assim será pelo resto da
vida, porque esperamos que nos ofereçam o equivalente daquilo que oferecemos. Se
nos apaixonamos esperamos que o outro corresponda isso, é uma expectativa
natural e quando isso não acontece é como se tivéssemos levado uma pancada,
experimentamos a rejeição como uma dor física intolerável.
Para quem sofre de amor, não
existe um tribunal de reparação, um juiz imparcial que possa alegar que “aquela
pessoa” não poderia ter deixado de nos amar, que fizemos tudo por ela, demos o
melhor dos nossos sentimentos. Que tipo de tribunal julgaria uma causa dessa e
obrigaria a outra parte a nos amar de novo?
Não se trata apenas de ter alguém
de volta ou que alguém se junte a nós. Exigimos ser amados, queremos ser feliz
e ter alguém feliz ao nosso lado, precisamos sentir as vibrações do amor, da
admiração, do desejo. Precisamos nos sentir importantes, bonitos e, queridos.
É ótimo saber que a pessoa ao nosso lado
segura nossa mão por que deseja, nos abraça por que gosta nos protege por que
ama. Se fosse de outro jeito, se não fosse espontâneo, involuntário não teria a
mínima graça. Assim são as coisas entre nós. Somos uma nação de românticos e
sentimentais e esse é o preço que pagamos pela nossa felicidade, é o risco que
corremos. Isso é humano, é comum como outras coisas podem ser nesse nosso lindo
e louco planeta, em que tudo nasce e renasce. A morte do amor é como todas as
outras mortes é uma injustiça irreparável que não pode ser evitada!
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